Postado em sexta-feira, 22 de dezembro de 2017 às 09:09

´Bright´ transforma ideia ruim em filme direto e engraçado


Dá pra imaginar a cena. Em alguma sala de reunião em Hollywood, executivos engravatados provavelmente gritaram, em uníssono: “Filme policial com ‘O Senhor dos Anéis’! Filme policial com ‘O Senhor dos Anéis’!”.

Deste encontro (fictício) saiu “Bright”, filme estrelado por Will Smith e Joel Edgerton (“Ao cair da noite”) que estreia nesta sexta-feira (22) na Netflix. Assista ao trailer acima.

A maioria pode concordar que a base da trama é ruim. Na produção, o ator interpreta Daryl Ward, um policial comum de uma Los Angeles habitada por seres mitológicos, como fadas e dragões.


Sua maior preocupação é o desgosto com o parceiro, Jakoby, um orc (Edgerton) desprezado por humanos e odiado como traidor pela própria raça.

Pelo menos até a hora em que a dupla encontra e passa a proteger uma elfa (Lucy Fry) perseguida após roubar um artefato poderoso e perigoso: uma varinha mágica.

Sim, você leu corretamente. Uma varinha mágica.


De alguma forma, o diretor David Ayer, que repete a parceria (malsucedida) de “Esquadrão Suicida” (2016) com Smith, faz funcionar essa mistura que tinha tudo para dar errado.

 


Parte do mérito, é claro, fica para o roteiro, que simplifica a premissa em um enredo com começo, meio e fim, numa daquelas histórias que se passam em uma só noite.

Mas o cineasta consegue mais uma vez construir uma narrativa satisfatória ao se apoiar na relação entre os policiais e na ação bem orquestrada. São características marcantes de dois de seus melhores trabalhos, “Os reis da rua” (2008) e “Marcados para morrer” (2012).

Smith oferece a seu protagonista o habitual carisma que o tornou famoso como ator, mas é Edgerton o destaque da dupla, mesmo debaixo da máscara e da pesada maquiagem que o transformam em um orc.


O australiano transmite uma inocência fundamental para seu personagem, e é base para o humor de todo o filme. Ele prova mais uma vez que é um dos atores mais subestimados de Hollywood.

“Bright” supera a ideia digna de algoritmo ao apostar em simplicidade, humor, carisma de seus protagonistas e belas cenas de ação.

Claro que há problemas, mas a surpresa é bem-vinda. O confronto final contra a trupe maligna comandada por Noomi Rapace (“Prometheus”) não faz o menor sentido, e parece que alguém simplesmente jogou o roteiro pro ar e gravou as páginas fora de ordem

Quase dá vontade de saber mais sobre as outras duas varinhas mágicas citadas na história e que podem libertar algum mal milenar ou algo assim. Quase. Se Jakoby estiver de volta, tudo bem.






Fonte: G1 CINEMA